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DICA DE LUXO

Doenças, transmissíveis ou não…

29/06/2017

Qual a reação de qualquer pessoa normal quando descobre que alguém muito, muito próximo está seriamente doente? Procurar todos os médicos possíveis para fazer todos exames existentes a fim de encontrar todas as doenças impossíveis, porque todos achamos que adquirimos de alguma forma psicossomática a enfermidade em questão, ainda que sem qualquer contato físico ou que a doença não se passe através do mero contato físico.

E comigo foi exatamente o que aconteceu, mais ou menos nessa ordem: Dor nas costas; vai ao médico; ortopedista; vai à outro; raio-x; tem que ser ultra-som; melhor tomografia; Faz ressonância; contraste deu enjoo; engole o vomito porra!; Pode ser câncer; CÂNCER? É Câncer, FUDEU!

E assim, se descobre uma enfermidade, é claro que de uma doença se tira vários aprendizados, positivos ou negativos, mas aqui não é momento auto-ajuda, então.. 

La vamos nós! Descoberto o câncer, se inicia a bateria de exames, no doente, e em mim, sendo vários deles verdadeiramente constrangedores, a citar:

Urologista:
-       Qual o problema meu filho?
Eu:
-       Câncer doutor, no testículo;
Urologista:
-       Vamos examinar…
-       Não estou achando nada… Quais foram os sintomas?
Eu:
-       Na verdade nenhum doutor, desde que um amigo meu descobriu câncer no testículo eu to sentindo um incomodo  I-N-S-U-P-O-R-T-Á-V-E-L que mal consigo andar;

[aperto seguido de dor, leia-se: D-O-R]

Não era câncer, e ainda fiquei com dor.

Logo após cessar a dor nos testículos[disse testículo em uma tentativa, acredito que frustrada, de elevar o nível do texto],  descobri um caroço logo acima do meu esôfago, por meio do google descobri que o Câncer nessa região é o mais mortal, marquei no outro dia um gastro (médico que analisa a parte mais próxima do esôfago que eu consegui) e assim descobri (e vocês que estão se apalpando descobrirão também) a ponta do meu externo(osso que liga as costelas), eu não peguei nenhuma doença.

Depois da paranóia inicial, vamos ajudar quem realmente está doente, essa parte já foi mais complicada, assim:
-    Quimioterapia, vou vomitar! [doente]
-    Não vai ser a primeira vez, pelo menos não é por vodka! [Eu]
-      Choro [Doente]
-      Abraços [nós]
[Dor de cabeça, dor nas pernas, cansaço]
-      Gente, deixa ele sentar, ele não ta bem! [doente, falando de mim]

Dar apoio nesse momento envolve várias atitudes, inclusive não falar que “seus sentimentos que trouxeram a doença”,  que "amarguras causam câncer", além de ter que enfrentar tudo [quimio, enjoo, vomito, dor muscular, rosto amarelado e boca branca] a pessoa ainda tem que pensar que aquilo é culpa dela? Não! É demais. 

Câncer ou qualquer outra doença [transmissível ou não], não é algo que veio para ensinar coisas sobre a vida em pouco tempo... o nome disso é supletivo, doenças, são só doenças, e acontecem por que acontecem, e devem ser tratadas. 

Mas é claro que não é fácil saber o que dizer nessa hora, eu, resolvi fazer o que eu achava necessário, dentro do que eu podia, que foi:

(Telefone)

Eu:
- Rosangela, tem horário para hoje?
Ro:
-  Para fazer o que?
      Eu:
      - Raspar tudo.
      Ro:
      - Mas porque menino? Ta doido? Revoltou?
      Eu:
      - Mais ou menos, rs, vou precisar enfrentar a quimioterapia.

[Ela quase chorou, eu chorei, depois, pelo câncer e pelo meu cabelo]

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