DICA DE LUXO

Sobre meninos e Lobos

08/07/2017

Em todas as relações, existem dois polos, ying e yang,  passivo e ativo, feminino e masculino,  Gretchen e Rita Cadillac, Britney e Cristina, Jason e Freddy, a chapeuzinho e o lobo mau, e acaba que quase tudo corre para polaridade sexual, querendo ou não, sempre haverá que se definir em algum momento (ainda que por alguns instantes).

 

É este encaixe que forma as relações, no ultimo texto ficou cravado um J, o Jarro "até bonito, de louça, com flores em alto relevo, e inteligente, muito inteligente", na vez em que fui Dorotéia (RODRIGUES, Nelson. Dorotéia: Uma Farsa Irresponsável. Montagem: 2016.), na vez em que eu me encaixei, talvez a primeira vez que fui apresentado ao meu outro polo, digo Jarro por motivos óbvios para quem conhece o texto de Nelson Rodrigues, e nem tão óbvios para os que não, e foi isso que o texto gritou, a outra face do sexo.

 

Chapeuzinho Vermelho sob este ponto de vista é quase que um conto sexual, e um ensinamento sobre conquista, atração, e sexo (por que não?) e merece muita atenção.

 

Entre a recolhida dos cacos que o Jarro me deixou, conheci um Lobo, que me apresentou Dorotéia, e o mal dos Lobos é que nunca se consideram presas, é a prepotência do predador, mas nem sempre os papeis são tão exatos, comigo aconteceu assim:

 

 

"Eu  com meu casaco vermelho,
Um capuz que cobre por completo meu rosto tímido,
Minha cesta de doces,
Minhas boas intenções,
Ele alto, 
Peludo,
Com grandes bigodes,
Esguio, 
Com uma beleza estranha,
Selvagem, 
O primeiro encontro se deu na selva,
Caça e Caçador,
O Lobo e Chapeuzinho,

Os olhos se conectavam,
As Mãos, tocavam,
As cabeças pensavam…
Jogo! Conquista…
Por que seu sexo fala tão alto?
Enquanto o meu, pisa de leve,
Para não chamar atenção entre as folhas (ou no asfalto),
Por que seu ouvido ouve tão alto?
Enquanto minha voz, tenta passar como sussurro,

Quem seria presa?
Qual de nós tem mais medo?
Nessas duas semanas em que passeio por este bosque,
Sinto-me observado, cheirado, escutado…
Mas seus instintos, tão primitivos, tão animais, falam alto demais,
Ensurdecem seus sentidos,
Repelem minha atração, meu desejo sutil,
Mas aguçam a curiosidade,
a atenção,
Será que é possível abaixar o tom de um Lobo?
Será que é possível convencê-lo de não ser?
Sem regras, sem obrigações.
Chegamos em casa, abro a porta,
Vejo que ele por vezes se disfarça de inocente, 
Para me fazer de presa…
Prepotência,
Nunca percebeu que embaixo do capuz vermelho não era uma menina frágil,

Quem é você? pergunta o lobo.
Pobre lobo, chapeuzinho, sempre foi o caçador."

 

Foi assim que aconteceu, certo que ainda existem cacos de Jarro para recolher, desde que minha alma partiu-se, faz tempo que não sou o mesmo, ainda não sei quem vou ser, mas eu não sou mais aquele inocente.

 

Instagram: @pablocofe

Foto: @rodolfocorradin

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