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DICA DE LUXO

Bizarre Love

03/08/2017

Quando eu descobri a minha tendência por me apaixonar por animais medrosos.

 

Todo animal quando sofre algum tipo de agressão guarda dentro de si essa agressividade  recebida e a retorna de alguma forma para as pessoas em sua volta, isto serve para cães, gatos, periquitos e homens, no fundo, somos todos regidos por instintos. 

 

A violência usada contra cachorros, por exemplo, pode formar um cão sem confiança nas pessoas, sem confiança e auto estima, medroso e por consequência, violento, e assim identifiquei mais um padrão, será que somos portadores da síndrome da "domesticação"?

 

Quando era criança, um vizinho criava um Pastor-Belga preto,o Urso, era um dos cachorros mais lindos que eu já vi, preocupado com a segurança, o meu vizinho espancava o Urso sempre que ia dar comida para ele, para ele não confiar em ninguém e ser agressivo, ele morava em uma casa escura, sem janela nem porta, e ficava trancado ali, e durante o dia só dava para ver a sombra do cachorro, entre os espaços da madeira da casa escura, e a noite, se conseguia ver ele completo, grande, agressivo e lindo.

 

Começo a pensar se isso também não acontece com as pessoas, quando alguém é maltratado, enganado, traído, será que essa pessoa cria uma casca de medo que o faz inseguro em relação às relações, e ai se entregam as mais diferentes defesas? Será que ter sido jogado fora do padrão faz o outro abrir mão de todos os princípios básicos de convivência? 

Eu me identificava com o Urso, desde pequeno, eu fui uma criança que apanhou bastante, e que se encheu de alguma forma com essa agressividade também, seria o urso uma criança como eu? Seria uma pessoa com medo de relacionar só um produto de má experiências? Para mim o Urso só era um cachorro sem amor e com meu amor, ele se tornaria amável.

 

Quando eu olhava para o Urso, eu via um filhote mal tratado, não um cachorro bravo e agressivo que poderia fazer mal a alguém, como eu sempre olho para algumas pessoas,  foi assim com o Jarro, foi assim com outros relacionamentos, percebi que sempre tentei consertar as pessoas, dar colo, eu sempre vejo algo muito bom dentro de cascas duras.

 

Assim eu me apaixonei pelo Urso, e um dia, o dono dele decidiu sacrifica-lo, porque era impossível até para os donos sairem no quintal quando ele estava solto, por pena, pedi meu Pai para adotar o urso, e meu Pai(talvez mais louco que eu), adotou o cachorro como se fosse um filhote.



 

Eu passei a passear com ele todos os dias,  consegui me aproximar dele, consegui tocar nele, fazer carinho, abraçar, ele era tão lindo e eu amava ele bastante, passeava com ele todos os dias, monitorado de longe pelo meu Pai.



 

Um dia, passando na frente da casa do meu vizinho o Urso tentou voltar para a antiga casa, ele mudou e andou firme em direção a casa, eu não queria perder ele, e tive esse medo então briguei com ele e puxei forte para ele voltar, ele voltou com toda agressividade que ele tinha, mordeu meu braço e só soltou depois que meu pai conseguiu bater nele com um pedaço de madeira, ali com meu braço ensanguentado, no chão eu olhava para ele, pensava se ele realmente queria fazer aquilo comigo ou se era só uma repetição de comportamento, eu nunca mais consegui chegar perto dele, nem de outro pastor belga.



 

Sexta feira, na cama, eu estava deitado ao lado de um outro animal, esse racional, lindo, forte, aparentemente agressivo, mas doce, eu realmente acreditava que ele não era aquilo que aparentava, depois de horas de conversa e namoro (quanto tempo não estava com ninguém que era tão interessante e ao mesmo tempo envolvente), ele pergunta, já viu meu cachorro? Abrindo o celular e mostrando a foto do seu Pastor Belga, aquilo gelou minha alma, será que eu estou repetindo o padrão do Urso? Será esse meu padrão? Ter amores bizarros acreditando que uma pessoa só precise de amor, cuidado e carinho?



 

Eu não sei as respostas, eu me sinto bem ao lado do novo Belga, me sinto estranhamente  protegido e ao mesmo tempo protegendo, o medo que ele tem fala tão alto que escuto ele se convencer que vai ficar sozinho, que é normal que as pessoas não queiram ficar com ele, que ele assusta e que nem todo mundo está disposto a isto, eu não digo nada, eu não sei de nada, por enquanto ofereço meu abraço, e torço para que ele não morda meu braço quando eu passar na frente da sua antiga casa, afinal, meu pai não esta mais aqui para me defender.

 

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