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DICA DE LUXO

Restaurante Arauco resgata a memória e valoriza a arte

16/10/2018

Um ambiente que resgata a memória e valoriza a arte, construído a partir da frase de Carlos Drummond de Andrade “O tempo como elemento de transformação”. Essa é a proposta do Restaurante Arauco, projetado pelas arquitetas Juliana Vervloet do Amaral e Roberta Toledo na Casa Cor ES 2018.

 

As duas estão juntas no evento pelo segundo ano consecutivo. Em 2017, assinaram a Casa Galeria e agora partem para o desafio de dar forma ao restaurante, que é o último ambiente da Casa Cor e poderá ser frequentado mesmo por quem não estiver visitando a mostra, que será realizada de 10 de outubro a 28 de novembro, no Clube Álvares Cabral, em Vitória.

 

Com 250 metros quadrados, 66 lugares (que variam entre áreas de estar e mesas de diversos formatos) e vista para vegetação, mar e montanhas da Baía de Vitória, a casa terá cardápio do estrelado chef César Santos, do restaurante Oficina do Sabor, em Olinda, Pernambuco. No menu, quatro entradas, oito pratos principais e quatro sobremesas assinados pelo profissional, que é dono de receitas exóticas e obtém reconhecimento do público e dos críticos de gastronomia ao criar pratos que mesclam frutos do mar com frutas e ervas. César Santos é ainda o atual presidente da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança e diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-PE).

 

Juliana Vervloet do Amaral explica que a citação de Carlos Drummond foi realmente a grande inspiração da dupla para compor o ambiente. “Pensamos no próprio Álvares Cabral e na sua influência na vida dos capixabas, uma vez que o clube serviu de cenário para uma série de histórias afetivas que são transformadas com o passar dos anos. O tempo vai tatuando corpo e mente e deixando marcas. E com os materiais não é diferente”, ressalta.

 

O conceito pode ser percebido já na escolha dos acabamentos, ao reunir no ambiente elementos que se modificam com o tempo. No chão e em parte da parede, pedras de Quartzo Cristallo da Pettrus beneficiadas no formato 1m x 1m se misturam a cacos do mesmo material. A composição artesanal se transforma em um tapete dinâmico e vivo, remetendo ao clima de casa de avó, onde as memórias são sempre saborosas e afetivas. Para completar, a vegetação rompe piso e paredes e encontra brechas para que a vida se materialize.

 

Na principal parede, com dimensão de 12m x 2,60m, um painel feito pelas mãos do designer carioca Daniel Penteado leva a paisagem que está do lado de fora para dentro do ambiente, numa pintura que utiliza três camadas de tinta em acrílico da Politintas nos tons terra, madeira e o verde da vegetação. “A pintura é uma continuidade visual, novamente transformada e modificada através de aberturas que expõem a verdade de sua estrutura, rupturas que permitem que a vida seja absorvida pelo espaço”, explica Juliana Amaral.

 

Na frente da parede, um sofá em gomos reforça o conceito de sustentabilidade ao utilizar fios ecológicos em sua composição. As cores das lonas intercaladas são quase que a decomposição da pintura da enorme parede, com a mesma variação de cores.

 

Já a madeira, elemento nobre sempre presente no projeto da dupla, também tem seu protagonismo. Paredes e teto recebem revestimento em MDF da Arauco, na cor Lotus Chess, e os tampos de mesa em Licor Sethos fazem um contraponto com as mesas de madeira maciça de Rusimar Brumol, ambos utilizando as cadeiras italianas Piazza, da loja Stampa.

 

O banco paramétrico em MDF da Arauco, desenvolvido pelo Studio Protobox, montado em torno de uma jardineira que ocupa o centro do salão, dá vida e utilidade à área. A peça ganha destaque por sua geometria orgânica, que foi perfeitamente adaptada ao espaço e é resultado do uso de tecnologia de ponta nas etapas de modelagem tridimensional e métodos de fabricação automatizados na indústria.

 

No hall de entrada, o pé direito baixo traz sensação de aconchego. A escultura “Cena (para Glauber)”, do artista plástico paranaense radicado em São Paulo Vanderlei Lopes, recebe os visitantes. Em bronze, a obra reproduz as mãos do próprio artista, que aparecem segurando uma vela acompanhada de fogo de verdade. Para completar, o vaso “Solo”, do designer Guilherme Wentz, dialoga com a obra de Vanderlei, “ofertando” uma planta ao usuário, em um gesto simbólico: seja bem-vindo!

 

No teto, as arquitetas optaram por deixar aparente, na quase totalidade, a estrutura nervurada da laje, trazendo verdade ao espaço. No trecho coberto, o revestimento é feito com ripas em MDF da marcenaria Artedecore, exercendo a função de “absorvedor acústico”, uma vez que possuem em seu interior lã de rocha ensacada da Destak. Já as luminárias BOB da Iluminar cumprem o papel de valorizar o ambiente.

 

Mais uma vez, o tapete de cacos ganha destaque ao induzir o olhar do visitante para a parte externa do restaurante. Esses mesmos cacos invadem o paredão de 10m x 3m, servindo como fundo para os Totens Metamorfose de autoria de Rusimar Brumol (Painel Verde Ateliê), que se multiplicam na paisagem com as paredes em espelho que complementam a obra. Os quatro totens, em madeira maciça torneada, queimada e em tronco bruto mostram as diferentes possibilidades de apresentação do material.

 

Uma grande sala de estar foi pensada para receber os usuários. Nela, móveis contemporâneos, como o sofá em veludo verde Estasi da Natuzzi Editions, dão flexibilidade ao conjunto, assim como as banquetas de madeira de Rusmar Brumol. Ainda na entrada, um elemento vazado em MDF desenhado por Ricardo Ziviani separa a área do salão, aguçando a curiosidade de quem chega.

 

 

As poltronas Rossi e a Mesa Lateral Toy do design Jayme Bernard, ambas da Stampa, e a luminária de piso adobe complementam o ambiente.

 

No misto de histórias e transformações, há espaço para móveis antigos, como um balcão de farmácia restaurado que recebe obras de Marcelo Macedo. O artista tem em seu trabalho uma relação forte com garimpo, coleções e construções e é por meio dessa tríade que o artista transita entre o criar e o recriar.

 

Outros móveis antigos, como um console da avó de Juliana Vervloet do Amaral, recebe a obra do artista argentino Roberto Romero, “Máquina de Escrever”, que é uma escultura e luminária feita em arame, com desenho vazado, abrindo um universo poético e reflexivo para os olhos. Acima, uma brincadeira de palavras transporta o usuário para a poesia pintada por Daniel Penteado.

 

Uma enorme pintura do carioca Antônio Bokel (150 x 290cm) faz parte da curadoria do restaurante, feita em spray, óleo e acrílica sobre tela e madeira. O artista, que integra a coleção do MAR (Museu de Arte do Rio), traz em sua pesquisa questões sobre morte e renascimento, reforçando a ideia de memória e reconstrução de passado, sem deixar de lado a poesia urbana que atravessa toda sua obra. Quem assina a curadoria do restaurante é a Matias Brotas.

 

“Queremos que o visitante tenha a oportunidade de estreitar suas relações, proporcionando realmente um mergulho no tema da Casa Cor deste ano, que é a Casa Viva. O espaço deve funcionar como refúgio físico, mental e espiritual, um local para celebrar os laços de afeto, seja com a família ou com os amigos”, ressalta Roberta Toledo.

 

Wine Bar

O vinho foi escolhido para fazer parte do projeto e poderá ser degustado no Wine Bar. Sua concepção leva em consideração o processo de produção da bebida, a relação com a terra, a dependência com o tempo e a sua transformação com o passar dos anos, conversando diretamente com a proposta do Restaurante Arauco.

 

No local, é possível observar o mesmo conceito do espaço, com cacos que sobem a parede e sustentam uma bancada verde da Brasigran de Vitória Regia com tampo de madeira maciça e banquetas 102, em couro, de Jader Almeida.

 

A luminária BOB da Iluminar complementa o bar. Ao fundo, garrafas de vinho são sustentadas pelo sistema Bblock, numa marcenaria feita pela Artedecore em verde escuro e profundo, fazendo contraponto com a cristaleira antiga da Luzimar.

 

O Wine Bar será operado por Jefferson Sousa, do By Rock. Oferecerá carta de vinhos selecionados e opções para serem harmonizadas com os pratos do chef César Santos.

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